14.5.06

Imigrantes em Portugal

Sou a favor da maior abertura possível do país a gente de outras paragens. Portugal deve ser esse sonho de um país sem fronteiras, muito além das nossas fronteiras, algo imaginário, algo místico, como dizia o Prof. Agostinho da Silva, uma espécie de Quinto Império. Não, meus amigos, não há qualquer tendência imperialista nisto, mas antes a convicção de que podemos ser nós (todos, ao fim e ao cabo, portugueses e outros, falando em português, de preferência multicolor e pluricultural) a arrastar, ao ritmo da vida, os dias para um Mundo melhor. Nada de o mudar todo, nada de o tornar perfeito: apenas tirar dele o que ele tem de melhor. Menos agressividade, menos guerra, menos ambição, paz, comida para todos, e bebida também.
Esse grande Portugal não existe, a não ser no desejo. Mas já era bom se fôssemos mais inteligentes e nos abríssemos ao Mundo. Sempre fomos pequeninos quando nos fechámos e começámos a expulsar gente! Ah, alma enferma, memória curta!

Ler:
Alto comissariado critica associação de presos estrangeiros a imigrantes (Público)
Comunicado do ACIME

21.4.06

Votem neles!

Alguém me pode auxiliar?

O que terá passado pela cabeça do ex-deputado e ex-Vice-Presidente da Assembleia da República, Dr. Narana Coissoró (que até tenho em boa conta), quando há uns dias atrás nos proporcionou mais um grande momento de reflexão...

A oportunidade e o conteúdo das suas palavras, proferidas aquando do colóquio «Ética e Política», foram, de facto, dignas de registo. Senão vejamos:

«Quem lida com o Parlamento sabe que há determinados dias em que os acontecimentos levam as pessoas a faltarem. Por exemplo, não se pode marcar uma votação por exemplo, quando o Benfica-Barcelona estavam a jogar, ou quando há um acontecimento grande que as pessoas querem ver»

Quando se pretende dar um ar de credibilidade aos nossos governantes, surgem do nada, coisas destas... mas será isto possível? Será necessário comentar? Tenham piedade de quem trabalha!

Ou então ... votem neles!

7.4.06

Estudos, estudos, estudos



"A convite do Governo
UA participa na definição das políticas públicas nas áreas de Ambiente e TIC


A UA está entre as dez instituições de ensino superior e cinco unidades de investigação que o Governo, através do Observatório do QCA, convidou para reflectir sobre a definição dos desígnios e metas que devem presidir à aplicação do próximo pacote de fundos europeus 2007-2013. São 17 estudos, ao todo, dos quais 16 sectoriais e um transversal. A UA apresentará as suas propostas nas áreas do Ambiente e Prevenção de Riscos e TIC para um País competente. O primeiro grande debate público sobre as estratégias a seguir por Portugal decorreu na semana passada."
~
Em Portugal fazem-se muitos estudos que depois não dão resultado nenhum, nem servem para nada. Bem, pelo menos servem para ir entretendo o pessoal.

3.4.06

Narrativas - Galeria Sete

Sobre-Pele-Rosa, 2006
Susana Pires*


A inauguração da exposição "Narrativas" na Galeria Sete, em Coimbra, foi um momento agradável, saudável e de boa convivência, com artistas (a exposição é colectiva, no feminino) e convidados sem os tiques habituais (ok, só alguns tiques, mas poucos). O trabalho de Eduardo Rosa, o galerista, parece-me merecer o elogio seco de quem não o conhece pessoalmente (eu) e, por isso, não está na também habitual lógica de amiguismo típica do meio. Em Portugal o mundo das artes plásticas cheira muito a mofo (ou será bafio?), controlado pelos galeristas de Porto e Lisboa, numa guerra difícil que não vou perder tempo a dissecar. Todos conhecem as causas e consequências dessa situação, talvez "derivada", como dizem os Gatos (e uma quantidade crescente de gente), ao facto de Portugal ser um pequeno país, geograficamente falando, claro.
Não quero com isto generalizar, incluindo tudo no mesmo saco. Nem quero dizer que, por causa da pequenez do território e do pouco dinheiro, haja outro caminho. Se calhar tem que ser assim.
Haverá excepções.
A exposição "Narrativas" é um caso feliz de arte no feminino sem querer ser feminista. Um conjunto de jovens artistas, todas mulheres em início de carreira, mas com um trabalho já firme (no meu tosco ver), arejado, sem complexos, sobretudo de procura de caminhos, sem pretensões estéreis de invenção. Mas um caminho de trabalho, em muitos casos um trabalho de pessoas que têm de fazer sacrifícios e trabalhar muito pra financiar a vontade de criar.
Fica o elogio a artistas, a galerista e staff, e um sublinhado ao excelente trabalho da Comissária da Exposição: a Prof. Ana Luísa Barão, da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Colocou - o que já é habitual - todo o seu empenho na promoção de jovens valores e conseguiu uma mostra equilibrada, bela, de boa qualidade. A sua forma de estar é uma excepção também no meio académico português.
~
*CV
Susana Pires nasceu em 1980. Vive e trabalha entre Montemor-o-Novo e Lisboa. Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Participou em várias exposições: Anteciparte 2005 (Estufa-Fria, Lisboa, 2005); XIII Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira; VIII Bienal de Artes Plásticas da Cidade do Montijo; Festival Transforme Zone, (Alverca); Finalistas de Pintura da F.B.A.U.L., (Galeria da Mitra, Lisboa, 2005); Mostra Nacional de Jovens Criadores ’03 (Silves, 2004); Exposição Colectiva “ Utopia 9” – Tapeçaria Contemporânea. (Sala da Nora, Castelo Branco, 2003)

26.3.06

Coisa Ruim

Actual * Opinião
Reinicio a minha colaboração no Pantassa neste novo formato com a indicação de um brilhante filme em Português: "Coisa Ruim" de Tiago Guedes e Frederico Serra.
Admito que fui com algum receio (apesar da critica ser boa) ver este filme, à espera de encontrar algo com pouco sumo, daqueles que desejamos que chegue a última cena. Mas, nada disso. "Coisa Ruim" é um filme com uma boa história, nada assustadora mas suscitadora de medos, um grande cenário, ao mesmo tempo intimidativo e fascinante e um grupo de actores escolhidos a dedo.
Realmente, é verdade que já se faz muito bom cinema em Português e aqui está a prova.Estamos numa nova era do cinema português.

SS